Autor: 
Marcus Vinicius de Azevedo Braga

Em mais uma de minhas muitas mudanças de residência, na rotina de encaixotamento das coisas em meio à poeira, encontro uma antiga caixa de sapatos, amarrada com barbante, morada de antigas fotos, cartões, desenhos, manuscritos e cartas, presentes de amigos de outrora. 

Mexo nas cartas, algumas escritas com canetas de diferentes cores, outras com desenhos, cheiros e adesivos. Lembranças carinhosas de amigos, oriundas de encontros espíritas, tardes fraternas, manhãs fraternas, dias fraternos...graças a Deus, temos muita fraternidade no Movimento Espírita.

São folhas de papel que ainda guardam em si grande sentimento. Hoje ninguém mais escreve cartas. Replicamos, copiamos e colamos, curtimos, encaminhamos a nossa lista. Abro a caixa de correios diariamente e só encontro faturas, publicidade e contas. Esquecemos o prazer de escrever aos amigos.

Olhando essas cartas, guardadas naquela antiga e empoeirada caixa de sapatos, reflito sobre a importância da amizade, e mais ainda, da necessidade permanente de se cultivar os amigos, pela vivência e pela lembrança, mesmo que seja por uma singela carta.

Amigos são um tesouro. Alguns vão, outros vem. Alguns ainda reaparecem! Nos momentos de alegria, celebram. Nos momentos difíceis, consolam. Como é bom ter amigos para conversar, abraçar, se divertir e ainda, mandar cartas. Como dizia a música dos tempos da Juventude Espírita, o companheiro de jornada é uma “dádiva dos céus”. 

Mandam-nos cartas os amigos espirituais, falando da vida do lado de lá, consolando e esclarecendo, pela magia das palavras que se perpetua pela psicografia. Não esquecem de nós, ainda que não sejam percebidos, velando, de forma perene, por nossa encarnação.

Toda essa reflexão vem à mente à medida que mexo naquela caixa de cartas. São cartas antigas, manuscritas, alguns cartões. Representações de sentimentos dos meus próximos, agora distantes. A amizade é uma força poderosa, mas que precisa ser cultivada. 

O Movimento Espírita, como não poderia deixar de ser, é celeiro de grandes amizades, de ambos os planos da vida, que merecem ser regadas pela nossa atenção, como visgo que dá liga a esse movimento e como combustível que alimenta a chama desses grandes momentos que vivenciamos na seara espírita, sempre como bons amigos, como bons irmãos. 
 

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