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    • Cientistas conseguem gravar ‘música’ criada na coroa do Sol

    Cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, conseguiram captar os sons harmônicos que ocorrem durante a intensa atividade da camada mais externa e intrigante do Sol, que atinge milhões de graus Celsius de temperatura. Carlos Miguel Pereira comenta.

    • Data :29/09/2010
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    Cientistas conseguem gravar ‘música’ criada na coroa do Sol

    Som varia conforme formato de anéis magnéticos. Pesquisa ajudará a entender camada mais externa do astro.

    Do G1, em São Paulo

    Usando sofisticadas teorias matemáticas na análise de imagens de satélite, cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, conseguiram captar os sons harmônicos que ocorrem durante a intensa atividade da coroa solar - a camada mais externa e intrigante do Sol, que atinge milhões de graus Celsius de temperatura.

    Os pesquisadores analisaram estruturas chamadas anéis coronais, que são fluxos magnéticos em formato de arco que chegam a ter 100 mil quilômetros de comprimento. Os sons foram captados conforme o comprimento, tensão e oscilação desses arcos. Um trecho da “orquestra solar” foi publicado no YouTube pela universidade.

    Segundo os cientistas, a pesquisa ajudará a entender como funciona a coroa solar, já que a “música do Sol” também é influenciada pelo material que circunda os anéis coronais.

    Notícia publicada no Portal G1 , em 21 de junho de 2010.

    Carlos Miguel Pereira comenta*

    “Observa como se acha o soalho do céu todo incrustado de pedacinhos de ouro cintilante. Não há estrela, por menor que seja, de quantas aí contemplas, que em seu curso não cante como um anjo, em consonância com os querubins dotados de olhos moços. Na alma imortal essa harmonia existe. Mas enquanto estas vestes transitórias de argila a envolvem muito intimamente, não podemos ouvi-la.” (William Shakespeare, “O Mercador de Veneza”, Acto V - Cena I.)

    Shakespeare, conjugando as palavras como uma doce melodia, já então imaginava as estrelas cantando hosanas. Pitágoras explicava o Universo como uma estrutura musical, nomeando-a de Sinfonia das Esferas. O que estes dois gênios não desconfiavam é que, com o irresistível avanço da ciência, seria possível ao homem ouvir o cântico do Sol, a estrela que mantém a vida orgânica neste pequeno planeta a que chamamos Terra. A magia da descoberta encanta o homem desde os tempos mais remotos. O fascínio pela natureza, o desejo de compreender, de saber mais sobre o mundo que o rodeia, é uma das virtudes que melhor distingue os seres humanos e um dos mais preciosos instrumentos do seu progresso. Reproduzir o ribombar de uma estrela é um acontecimento admirável que nos deveria umedecer os olhos e tirar o fôlego, mas que, imersos pela velocidade estonteante com que a vida rola, acabamos por desvalorizar.

    O som é toda a variação de pressão, densidade e temperatura que ocorre na Natureza. O silêncio, tal como o imaginamos, não existe na realidade. O nosso rudimentar aparelho auditivo é que é ineficiente para detectar e decodificar a infinita gama de entoações que lhe chegam. Encanta-nos o ruído da água acariciando as pedras do riacho, inspira-nos a musicalidade do vento sacudindo as folhas de um carvalho, adormecemos embalados pela chuva que fustiga a calçada, refletimos ao som das vagas marítimas que se espreguiçam ao longo das praias, mas continuamos surdos a melodias muito mais sutis. Que composição cantará um molho de açucenas ao entardecer? O que dirão às flores as gotas de orvalho pela manhã? Que hino entoará a lua espelhada sobre o mar? Que ode produzirá o sentimento de um grupo de pessoas unidas em oração?

    Tudo o que existe no Universo vibra de forma constante, compondo o seu cântico íntimo de energia. Todos os átomos do Universo pertencem à orquestra de Deus, reproduzindo uma sinfonia sublime e singular. É pura poesia celeste que dispensa qualquer palavra, é música excelsa que vibra pelo éter sob a batuta do maestro supremo. Também nós pertencemos à orquestra. Sob nossa responsabilidade possuímos uns ferrinhos (triângulo) que precisamos afinar pelo tom do conjunto. Não é um instrumento extremamente complexo, nem mesmo imprescindível para o funcionamento de todo o Universo, mas o ouvido atento do maestro poderá descortinar se estamos a seguir o diapasão que ele idealizou para a sua sinfonia. Com o tempo, depois de inúmeras experiências em vidas sucessivas, aprenderemos a manifestar a nossa melodia de uma forma mais harmoniosa, e possuidores de uma tonalidade vibratória mais sublimada, teremos à disposição novas oportunidades e capacidades de expressar a arte, a beleza e a música que jorra da nossa alma.

    • Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.