Dinheiro só traz felicidade se comprar experiências, e não bens materiais
Elaine Bible Conexões sociais e vitalidade
Será que o dinheiro pode nos fazer mais felizes se nós o gastarmos nas compras corretas? Um novo estudo sugere que são as experiências do ato de comprar, e não a posse material daquilo que se compra, que leva a uma maior felicidade, tanto para o comprador, quanto para as pessoas à sua volta.
O estudo demonstra que uma compra que produz uma experiência, como uma refeição ou ingressos para um teatro, resultam em um aumento de bem-estar porque ela satisfaz necessidades de ordem elevada, especificamente a necessidade por conexões sociais e a vitalidade, um sentimento de se estar vivo.
Atendendo a necessidades psicológicas
“Estas descobertas dão suporte a uma extensão da teoria das necessidades básicas, que estabelece que as compras que aumentam a satisfação de necessidades psicológicas irão produzir um maior bem-estar,” explica Ryan Howell, professor de psicologia da Universidade Estadual de São Francisco (EUA).
Durante a pesquisa, foi pedido aos participantes para escreverem reflexões e responder questões sobre suas compras recentes. Os participantes indicaram que as chamadas “compras experienciais” representavam uma forma melhor de gastar o dinheiro e maior felicidade para eles próprios e para os outros à sua volta. Os resultados também indicam que a experiência produz mais felicidade qualquer que seja a quantia de dinheiro gasta ou a renda do consumidor.
Não é o dinheiro, é o “experimentar algo” que traz felicidade
As experiências também levam a uma maior satisfação a longo prazo. “Experiências compradas oferecem uma memória capital,” diz Howell. “Nós não tendemos a ficar entediados com memórias felizes como ficamos com objetos materiais.”
“As pessoas continuam a acreditar que mais dinheiro as fará mais felizes, mesmo que 35 anos de pesquisas venha mostrando o oposto,” diz Howell. “Talvez essa crença se mantenha porque o dinheiro está fazendo algumas pessoas felizes por algum tempo, pelo menos quando elas gastam o dinheiro em experiências de vida.”
Notícia publicada no Diário da Saúde , em 10 de julho de 2009.
Claudia Cardamone comenta*
O apego à matéria não é apenas dar valor aos bens materiais, mas é se apegar ao que ela significa, aos nossos desejos.
Esta pesquisa demonstra que não é pelo bem material que lutamos tanto, não é para possuir um objeto, mas é para garantir a nossa satisfação. Nós gostamos de comprar. Não importa muito o quê, isto pode variar com o indivíduo. Para a nossa sociedade, os momentos sociais e de diversão incluem compras, vamos ao shopping, supermercado, bazares, feiras etc.
O problema é que esta satisfação é momentânea, o objeto na realidade é apenas um objeto que muitas vezes torna-se obsoleto e fora de moda, e isto impulsiona a pessoa à nova compra.
Uma camisa é sempre uma camisa, mas a moda a torna um símbolo e objeto de desejo: “Preciso comprar a camisa da moda para ser admirada.”
são Francisco de Assis foi um grande exemplo, apesar de ter sido também muito radical. O mais difícil para o ser humano é ser igual. É a nossa maior imperfeição e que reflete o nosso orgulho. A propaganda demonstra isto. A mais explícita foi a de uma empresa de cosméticos que mostrava todas as mulheres exatamente iguais, porém, com um batom, uma mulher se destacava e era observada pelas demais.
Nós precisamos de dinheiro para viver? Não, a nossa vida não depende de dinheiro. Nós precisamos de dinheiro para satisfazer as nossas necessidades.