Empatia e violência passam pelos mesmos circuitos no cérebro, diz estudo
Estímulos em uma direção reduziriam a atividade contrária. ‘Encorajar empatia também é processo biológico’, avalia cientista.
Do G1, em São Paulo
Estudo publicado na edição mais recente da “Revista de Neurología” afirma que córtex pré-frontal e temporal, amígdala cerebral e outras estruturas do sistema límbico são palco de impulsos neuronais vinculados tanto à violência quanto à empatia. Segundo o pesquisador Luis Moya Albiol, da Fundação Espanhola para Ciência e Tecnologia, esses circuitos cerebrais sobrepõem sinais agressivos e solidários “de um modo supreendente”.
“Todos sabemos que encorajar a empatia tem um efeito inibidor sobre a violência, mas isso pode não ser apenas uma questão social, mas também biológica”, afirma Albiol. O estímulo dos circuitos em uma direção reduziria a atividade em outro sentido. Assim, seria biologicamente mais difícil para um cérebro empático comportar-se de modo violento.
Técnicas para mensurar a atividade cerebral humana “in vivo”, como a ressonância magnética funcional, têm tornado possível vislumbrar novas estruturas que regulam comportamentos e processos psicológicos.
Notícia publicada no Portal G1 , em 10 de abril de 2010.
Claudia Cardamone comenta*
Que a empatia inibe a violência é algo lógico, pois empatia é a capacidade de um indivíduo se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer. Neste processo, se coloca no lugar do outro e tenta compreender o comportamento deste. Mas afirmar que a causa é biológica seria insensato, como nos explica a doutrina espírita:
“370. Pode-se induzir da influência dos órgãos uma relação entre o desenvolvimento dos órgãos cerebrais e o das faculdades morais e intelectuais?
Kardec ainda comenta: “O Espírito, ao encarnar-se, traz certas predisposições, e se admitirmos, para cada uma delas, um órgão correspondente no cérebro, o desenvolvimento desses órgãos será um efeito e não uma causa. Se as faculdades tivessem os seus princípios nos órgãos, o homem seria uma máquina, sem livre-arbítrio e sem a responsabilidade dos seus atos.”
Devemos lembrar que a matéria nada mais é do que o envoltório do espírito, assim como a roupa é o envoltório do corpo. Seria um absurdo dizer que uma pessoa é violenta por culpa da constituição ou do funcionamento do seu cérebro. O mais ponderado poderia afirmar que uma pessoa animada de um espírito violento estimula certas ações e características ao seu cérebro físico.
Porque o contrário também seria absurdo: acreditar que a empatia e bondade são consequências de uma constituição biológica do cérebro. Se assim fosse feito, não poderíamos dizer que existem espíritos violentos ou empáticos e sim que existem corpos violentos ou empáticos.
O que a pesquisa, por outro lado, demonstra, claramente, é como se deve vencer as nossas imperfeições: ao invés de brigar com elas, seja o orgulho ou o egoísmo, devemos estimular as virtudes. Assim, se quisermos ser menos violentos, devemos estimular a empatia em nós mesmos, pouco a pouco, sempre segundo as nossas possibilidades.